Fantasmas em Plutão e Titã

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Algo estranho está em Plutão. Também está em Titã. E ninguém sabe o que é.

A atmosfera de Titã é espessa, uma névoa sufocante de nitrogênio e metano. Estudar o terreno lá é difícil. Quase impossível sem as ferramentas certas. Mas se quisermos encontrar alienígenas lá, temos que conhecer a química. A química nos diz tudo.

Entre no Telescópio Espacial James Webb.

Bruno Bézard, do Observatório de Paris, e sua equipe analisaram os dados. Eles usaram espectroscopia – a arte de observar a luz sendo absorvida, refletida ou emitida. Os produtos químicos deixam impressões digitais à luz. A maioria deles faz.

Em Titã, eles viram uma estreita faixa de luz perdida. Um comprimento de onda específico desaparecendo na névoa. Então eles olharam para Plutão. Plutão frio. Plutão vazio e seco. Com uma atmosfera 15.000 vezes mais fina que a de Titã.

Eles viram de novo. Os mesmos comprimentos de onda estavam sendo engolidos pela superfície. Embora em Plutão a assinatura seja mais ampla e difusa. Como a mesma palavra escrita com letra trêmula.

Não faz sentido. Não aparentemente.

Titã possui lagos de hidrocarbonetos líquidos. Plutão tem gelo. Um é uma lua, o outro um planeta anão. As condições são totalmente diferentes. No entanto, as atmosferas partilham uma alma gémea. Ambos são ricos em nitrogênio. Ambos pingam névoa de metano em suas superfícies. Neva produtos químicos lá. Camada após camada.

“Temos, em ambos, esta química em que partículas de neblina são produzidas e podem nevar”, diz Bézard.

Esse é o provável local de nascimento desta substância misteriosa. A neve cai, se acumula, muda.

Os pesquisadores realizaram um jogo de comparação. Eles obtiveram espectros de laboratórios e arquivos. Gelados conhecidos. Compostos atmosféricos conhecidos. Cada candidato a uma partida.

Nenhum se encaixa.

Bem. Alguns chegaram perto.

Talvez as moléculas conhecidas tenham se misturado com alguma outra coisa. Talvez os grãos do material tenham mudado de tamanho em Plutão em comparação com Titã. A física muda as coisas. Mas nenhuma das correspondências foi exata.

“Temos alguns candidatos”, diz Bézard. “Não será um composto simples. Seja o que for, será uma surpresa.”

Uma surpresa na astronomia é apenas mais uma palavra para “não temos ideia”.

Então agora? Três etapas.

Primeiro, eles estão investigando mais dados do JWST. Tentando identificar exatamente onde o material está escondido na crosta de Titã. A geologia pode ajudar. Se você sabe onde ele mora, você pode adivinhar o que ele come.

Em segundo lugar, experimentos de laboratório. Eles pegarão os “próximos fósforos” e os torcerão. Aperte-os. Mude as condições. Veja se o espectro se alinha.

Terceiro, o jogo longo.

A espaçonave Dragonfly da NASA será lançada em 2028. Ela pousará em 2034. Ela voará sobre Titã. Ele faz uma amostragem da superfície. Pode finalmente resolver isso. Ou pode complicar ainda mais.

Queremos realmente saber o que é?

Provavelmente.

Porque se não o fizermos, ficaremos cegos. Cego para a química que poderia abrigar a vida. Ou destruí-lo. Plutão fica no escuro, guardando seus segredos. Titã se esconde sob sua mortalha laranja. Dois mundos, um mistério.

E em algum lugar, no gelo e na neblina, algo espera para ser nomeado.


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