Conhecemos a lenda. Stephen Hawking olhou para o cosmos e explicou os buracos negros para milhões de pessoas. Ele vendeu treze milhões de cópias de Uma Breve História do Tempo. Ele nos disse para olhar para cima, não para baixo. 🌌
A história geralmente termina aí. Ou começa aí. Isso pula a parte chata em que Stephen é apenas um menino na casa dos pais, fazendo muito pouco.
Essa é a reviravolta. Frank Hawking não estava escrevendo uma hagiografia. Ele estava mantendo um diário. Um segredo. Parcialmente escrito em código. E nele? Ele se preocupou.
O Código do Pai
Frank não era físico. Ele estudou doenças tropicais. Ele entendeu o progresso. Ele viu o filho, de 21 anos, mal estudando.
Os diários foram descobertos recentemente por Graham Farmelo. Farmelo ganhou o Prêmio Costa pela biografia de Paul Dirac. Agora ele está fazendo Hawking. John Murray o publicará em setembro. A propriedade aprovou. Problema.
Farmelo teve acesso a documentos de família escondidos pela irmã de Stephen, Mary. Diários de Frank. Diários de Isobel. É a pista interna do início da vida de Hawking.
Foi um bônus maravilhoso e completamente inesperado.
Farmelo chamou a fonte de “24 quilates”. Ele decifrou o código. Frank usou uma cifra de substituição do alfabeto grego para manter segredos de “inimigos ou pessoas íntimas facilmente feridas”. Inteligente, Frank. Inteligente demais, talvez. Ele traduziu mais de duzentas mil palavras.
O veredicto do pai sobre o jovem Stephen? Cego.
“Estamos um pouco preocupados.” Isso foi em 1961. “Ele anda pela casa com pouca iniciativa.” Frank acrescentou que Isobel achava que Stephen tinha complexo de inferioridade em relação ao pai. Frank discordou. Disse que Stephen não precisava de um.
Frank sentiu que seu filho havia desperdiçado seus anos em Oxford. A física era “inferior às artes”, pensou Stephen. Frank chamou isso de pena. Ele se lembrou de sua própria ambição ardente naquela idade. Se Frank tivesse tido metade das vantagens? Ele teria feito muito melhor.
Parece duro. Mas é honesto.
A horrível realidade
Depois veio 1963. O diagnóstico. Doença do neurônio motor. Os médicos disseram que Stephen tinha dois anos.
Ele chegou aos setenta e seis.
Mas o pai não viu um herói. Não imediatamente. Ele viu o sofrimento.
Em 1967, Frank escreveu: “Acho que é uma experiência lenta e medonha com [Stephen]. Tudo é tão terrivelmente prolongado” Ele também não mediu palavras sobre a dor disso “A conversa é muito difícil” E, francamente? Ele não gostou. “Sinto muito por ele, mas não gosto de estar com ele.”
Coisas difíceis de ler.
Esquecemos que a deficiência foi brutal para a família. A cadeira de rodas. A voz do sintetizador. Stephen fez a famosa piada: “A vida seria trágica se não fosse engraçada”. Ele disse que tudo depois dos vinte e um anos era um bônus porque as expectativas caíram para zero.
Zero é um bom número para começar. Mas Frank ainda não conseguia ver a curva se achatando.
Por que é importante
Farmelo conversou com a tripulação. Irmãs Maria e Filipa. Primeira esposa Jane. Crianças Robert, Lucy, Tim. Esta não é apenas a decodificação do diário. É história oral misturada com documentos secretos.
O novo livro, Hawking, será lançado em 24 de setembro. John Murray o chama de “retrato definitivo”.
Provavelmente será. Humaniza o gigante. Mostra-nos o pai que se preocupou, codificou e lutou contra o declínio “lento e medonho”. Mostra-nos o filho a quem faltou “iniciativa” e que depois reescreveu a física moderna sentado numa cadeira.
Stephen nos disse para ficarmos curiosos. Para não desistir. Ele provou isso com dificuldade.
Seu pai não entendeu até que fosse tarde demais para falar muito sobre isso.
Faz diferença que o gênio começou parecendo um preguiçoso?
Talvez. Talvez a falta de “ambição ardente” significasse que ele não estava com medo de que o universo quebrasse as regras. Ou talvez tenha sido apenas azar de Frank ter que ver seu filho desaparecer, lentamente, e achar os dias “terrivelmente lentos” 🕰️
