A guia climática de US$ 20 bilhões

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O calor é caro.

Um novo estudo estima que o aquecimento global já reduziu em mais de 20 mil milhões de dólares por ano a produção de milho, trigo e soja. Isso não é uma projeção. Essa é a conta atual.

Se não reduzirmos as emissões, esse número poderá multiplicar-se por oito até 2100 – ultrapassando os 160 mil milhões de dólares em perdas anuais.

O pedágio desigual

O dinheiro é importante. A geografia é mais importante.

Os impactos financeiros afectarão os maiores produtores como os EUA, mas o custo humano recai mais pesadamente sobre os países de rendimento mais baixo. Nesses lugares, a maioria das pessoas cultiva. A maioria das pessoas vive da terra. Quando o solo falha, as sociedades quebram.

“Se olharmos para os países menos desenvolvidos de África, o impacto é muito maior.”

Yi Ling Hwong, do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, alerta que não se trata apenas de más colheitas. É sobre migração. Agitação. A lenta erosão da estabilidade.

A missão de estar errado

A incerteza está embutida na matemática. Os agricultores se adaptam. Eles trocam de cultura. Eles instalam irrigação. O estudo explica parte disso, mas é impossível prever cada pivô que um agricultor faz.

Na verdade, esse é o objetivo.

Kai Kornhuber, outro membro da equipe do IIASA, enquadra todo o exercício como um alerta. Faça com que esses números sejam tão nítidos que as pessoas reajam. Se conseguirmos mudar nosso comportamento, as projeções parecerão erradas. Queremos ser provados imprecisos.

O método

A equipe extraiu dados de rendimento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Depois mapearam-no em relação à história climática.

De 1974 a 1974, calcularam os níveis de seca utilizando modelos padrão de humidade do solo. Eles compararam os extremos de calor com os resultados das colheitas. Em seguida, eles analisaram a correlação a partir de 2007.

O resultado? Uma queda de 3,5% nos rendimentos em relação a essa linha de base.

Três por cento parece pouco. Não é. Num mercado alimentar global, essa variação desencadeia crises regionais.

Eles avaliaram essas perdas no momento da produção. Então eles projetaram para frente.

O jogo final

Considere o cenário SSP3-7. Um caminho de altas emissões. Até 2100, os rendimentos globais destes três produtos básicos poderão cair cerca de 35%.

Perdas econômicas anuais? Mais de US$ 161 bilhões.

Em termos físicos, Hwong observa que isto equivale a quase 855 milhões de toneladas de produção perdida. Aproximadamente o que 2 bilhões de pessoas comem por ano.

Faltando a foto

Isso pode ser uma subestimação.

Por que? O estudo acompanha apenas três culturas. Ignora as inundações. Ele evita tempestades. Não tem em conta os picos de preços que muitas vezes se seguem à escassez – como já se viu no caso do café e do cacau.

Também há debate sobre o método.

Jonas Jägermeyr, da Universidade de Columbia, argumenta que o estudo superestima os danos de 2.100. Os modelos estatísticos são bons para explicar o passado. Eles enfrentam dificuldades quando o clima muda para regimes inteiramente novos. Os modelos de fisiologia vegetal – que contabilizam níveis mais elevados de CO2 – podem ser mais fiáveis ​​a longo prazo.

Karine Chenu, da Universidade de Queensland, concorda com a falha do método, mas aponta uma reviravolta: testes recentes mostraram que dois grandes modelos de trigo também cometem grandes erros quando enfrentam calor e seca combinados.

Então, o que é melhor? Estatísticas ou modelos complexos?

Kornhuber defende a escolha. Os modelos podem não responder a extremos. Esta equipe queria olhar para os extremos. Eles usaram estatísticas para capturar esses picos diretamente.

É uma imagem confusa.

Os dados são claros o suficiente para se preocupar. As ferramentas para prever isso ainda estão sendo disputadas. E a conta já está vencida.


Informações de emergência: Natureza como infraestrutura

Não procure conforto.

Nathalie Seddon enquadra a natureza não como cenário, mas como infraestrutura. Quebre isso, você terá inundações, mortes por calor e instabilidade. Restaure-o e você construirá resiliência económica.

Kevin Anderson alerta que é provável que ocorram 2°C até 2050. 4°C até 21210 é real. Sob essa curva, as economias globais não apenas encolhem – elas entram em colapso.

Paul Behrens coloca isso sem rodeios. O clima que nos proporcionou colheitas previsíveis está morto. A falha alimentar é agora um risco para a segurança nacional. O Reino Unido não está pronto.

Os especialistas recebidos por Rowan Hooper explicam: resta tempo para evitar o pior. Só não muito. 🌍