É um monstro. Literalmente. Um gigante esmagador de ossos que já governou o oeste americano. Agora está à venda. A Sotheby’s está cuidando disso. O preço? US$ 20 milhões a US$ 30 milhões.
O espécime atende por “Gus”. Um nome amigável para uma coisa com dentes em forma de adaga e mandíbulas largas o suficiente para engolir uma vaca. Tem 3,8 metros de altura. Montado pronto para matar. Encontrado em Dakota do Sul por uma equipe comercial durante três anos.
Pertence ao proprietário, Gary “Gus” Litting. Ele morreu antes do fim da escavação. O fóssil mantém seu apelido. Isso não o mantém aquecido.
Apex, um estegossauro, foi vendido no ano passado por US$ 44,6 milhões. Quase cinco vezes o pedido. Gus poderia ir mais alto. Talvez mais baixo. Ninguém sabe até o martelo cair.
A ciência fica comendo poeira
Esta não é apenas uma decoração cara. É uma dor de cabeça.
Richard Butler, de Birmingham, chama isso de problema de commodities. Um símbolo de status. Ele diz que a pesquisa se perde no momento em que sai do solo se nenhum museu a comprar. Os preços estão disparando. As instituições estão sendo precificadas.
Stephen Brusatte, de Edimburgo, vê a realidade jurídica. Terras privadas significam propriedade privada nos EUA. Ao contrário da Mongólia. Ou Brasil. Onde o estado é dono dos ossos. Aqui? É legal. Ele está preocupado de qualquer maneira.
“Esses preços só podem ser pagos pelos ultra-ricos”, disse Brusatte.
Pense em Sue. Aquele T-rex de 1997 foi vendido por US$ 8 milhões. O McDonald’s ajudou a financiar a compra para Chicago. Naquela época, os doadores contribuíram. Agora, os bilionários os compram para suas prateleiras. Leonardo DiCaprio tem um.
Dados a portas fechadas
A questão central não é apenas dinheiro. É acesso.
Thomas Carr, do Carthage College, diz que a propriedade privada é frágil. Nenhuma garantia de preservação a longo prazo. Não há promessa de que isso permaneça. Você pode retirar um fóssil de um empréstimo do museu a qualquer momento.
Como você verifica a pesquisa? Você precisa de replicabilidade. Outros cientistas devem analisar os dados. Se os dados estiverem trancados no cofre de um bilionário, você não poderá vê-los.
“Os fósseis são os dados, por isso devem estar disponíveis.”
Os periódicos sabem disso. Eles exigem que os espécimes fiquem em repositórios públicos. Se for privado? Publique por sua conta e risco. O processo de revisão por pares odeia armários trancados.
O esperançoso outlier
Às vezes funciona. Mais ou menos.
Ken Griffin comprou a Apex. Ele o emprestou ao Museu de História Natural de Nova York. Uma exposição itinerante. Um raro ponto brilhante. Michael Benton, de Bristol, admite que esses negócios acontecem. Ocasionalmente, a pessoa rica fica satisfeita ao compartilhar o brinquedo.
Doando? Empréstimo? Essas opções existem.
Carr diz que não se importa com quem o desenterra se acabar numa universidade. Mas não para leilão. Ele quer leis como a da Mongólia. Nenhuma venda comercial. Somente os cientistas coletam coisas raras.
Brusatte admite que também compraria um. Se ele fosse rico. Ele simplesmente doaria. Ele espera que isso aconteça aqui. Com Gus.
Carr está menos otimista. Ele espera que o fóssil vá para um fundo público. Propriedade perdida. Salvo das salas de estar.
Ele chama essas casas de tocas de “McBillionaire”. Ele prefere acesso público. A sociedade vence então.
Então esperamos. O martelo está pendurado sobre o esqueleto. O preço é alto. A ciência espera nas sombras. Talvez seja doado. Talvez não.
