Riade. Sujeira. Ouro.
Não era para estar lá. Pelo menos não neste contexto. Arqueólogos que trabalhavam nos arredores da moderna metrópole de Riad encontraram algo antigo e pesado. Uma panela de barro. Dentro havia mais de 100 peças de ouro, prata e joias cravejadas de pedras preciosas. A sujeira está presente há cerca de 1.200 anos.
A equipe o chama de Tesouro Diriyah.
Diriyah parece um lugar conhecido por uma coisa específica na memória popular: a ascensão do Estado saudita, o lar original da Casa de Saud nos anos 1700. Essa é a sua identidade de cartão postal. Mas o terreno ali lembra histórias mais antigas. Muito mais velho.
Esta descoberta específica remonta ao início do califado abássida. Estamos falando da janela entre 743 e 753 DC. A datação por radiocarbono dos resíduos orgânicos no local acertou essas décadas exatas. Este foi o início de uma era muitas vezes chamada de Idade de Ouro Islâmica. Bagdá crescia como capital do mundo, a ciência florescia, a arte florescia.
Diriyah estava no limite daquele mundo. Especificamente, numa estrada para a fé.
A rota do Hajj. Os peregrinos caminharam de Basra, um porto movimentado no que hoje é o sul do Iraque, até Meca, a oeste. Foi uma viagem perigosa. Longo. Quente. Você tinha que enterrar sua riqueza se pensasse que poderia ser roubado ou se simplesmente quisesse carregar menos peso na segunda metade da viagem. Ou talvez você tenha morrido. Alguém perdeu um passo no caminho? Ou apenas guardar um pote para pegar mais tarde? Nós não sabemos.
“Uma das descobertas mais importantes desta Sexta Temporada foi a descoberta do Tesouro Diriyah, que consiste em uma coleção de Peças de Ouro, pedras preciosas e fragmentos de Cobre oxidado.”
A citação vem de um especialista de laboratório da Comissão do Patrimônio Saudita. Eles estão cavando lá há seis anos. Geralmente eles encontram bacias hidrográficas. Paredes de gesso. Fragmentos de cerâmica. Pedaços de vidro. Rejeito antigo padrão. Esse? Isto foi uma surpresa.
A joia em si mostra um trabalho sério. Não é lixo produzido em massa. Folhas de ouro batidas, gravadas e depois incrustadas com pedras semipreciosas. Padrões florais. Desenhos geométricos. Dava para sentir as horas que um artesão habilidoso passava em uma bancada.
Os especialistas supõem que pertence a um peregrino. Adapta-se perfeitamente ao local. Mas eles não podem dizer com certeza quem era o dono. Um comerciante? Um nobre? Um residente local que temia os exércitos mongóis vindos do leste? O Império Abássida manteve-o unido até 1258, quando os mongóis o esmagaram, mas em 753 as coisas pareciam estáveis. Ou pelo menos estável o suficiente para enterrar um pote de ouro e esperar viver mais um dia.
Mais escavações estão planejadas. Claro. Sempre há mais escavações.
Mas neste momento temos esta imagem: uma mão cobrindo a boca de uma jarra no calor de um verão pré-moderno. Uma esperança para o futuro que nunca mais voltou para reclamar o seu tesouro.






























